Pular para o conteúdo principal

Moradores de Rua e A Violação de Seus Direitos pelo Estado!

Estado viola direitos de moradores de rua, avalia 
vice-presidenta da Comissão 
de Direitos Humanos da Câmara

O Poder Público no Brasil é omisso quanto às condições de vida dos moradores de rua e viola os direitos dessa população. A avaliação é da vice-presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, deputada Erika Kokay (PT-DF).

“O Estado que não se faz presente pela promoção de direitos, se faz presente diante de uma postura agressora”, disse a parlamentar em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional. “Uma postura que, na realidade, revitimiza [os moradores de rua]”, considerou.

A Comissão de Direitos Humanos denunciou agressões e abusos sexuais cometidos por policiais militares contra adolescentes moradores de rua em Brasília. A denúncia foi revelada, em primeira mão, pela Agência Brasil na última segunda-feira (02/4).

Na opinião da deputada federal, moradores de rua de Brasília são vítimas de violência psicológica, maus-tratos, tortura e estupro; e crianças e adolescentes ficam mais sujeitas a outras violações como trabalho infantil, exploração sexual e envolvimento com tráfico de droga.

Além de o Estado violar direitos ao não escutar reivindicações e “invisibilizar” moradores de rua, a sociedade trata essas pessoas de forma discriminatória. “Essa população sempre foi invisibilizada pelo Estado e quando é vista pela sociedade, via de regra, é vista pelos olhos da discriminação, do medo, não são vistas como seres humanos”, criticou.

De acordo com a parlamentar, sete de cada dez moradores de rua são trabalhadores – fazem reciclagem de lixo, atuam na construção civil ou têm atividade de pequeno comércio, segundo dados do Censo da População em Situação de Rua do Distrito Federal realizado por pesquisadores da UnB (Universidade de Brasília).

O levantamento aponta a existência de 2.365 moradores de rua no DF. Desses, apenas 20% dormem em instituições de acolhimento e 80% pernoitam na rua. A grande maioria tem idade superior a 18 anos (81%) e é do sexo masculino (76,4%). Apenas 16,8% dos entrevistados admitiram sobreviver da mendicância.

Para a parlamentar, o conhecimento sobre os moradores de rua tem que ser considerado para elaboração de políticas públicas que “proporcionem estabilidade” e “tirem o caráter precário na sua atividade laboral”. Erika Kokay também espera mudanças na sociedade. “Precisamos dar um choque cultural para impor valores de solidariedade”.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados está criando um grupo de trabalho com moradores de rua organizados, representantes da sociedade civil e parlamentares para a elaboração de um plano de defesa de direitos de quem vive na rua.

Além dos abusos cometidos por PMs contra adolescentes, a capital federal registrou quatro recentes homicídios de moradores de rua, dois por queimadura e dois por tiro, lembrou a parlamentar.


Fonte: Última Instância

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Violência doméstica e pena criminal

Por que as pessoas estão mais sujeitas a serem objeto de violência e, até, vítimas de homicídio em seus próprios lares e pelas mãos de alguém a quem amam? E ainda: por que as mulheres que são humilhadas e sistematicamente objeto de sevícias e lesões, continuam a viver com seus algozes? Por que após uma cena de violência física segue-se, por vezes, um momento de redenção, em que os parceiros experimentam a sensação de estarem mais ligados emocionalmente? Essas e outras questões desafiam a perícia de psicólogos, terapeutas familiares, advogados e de todos quantos se interessem pelo problema. A violência doméstica possui características e contornos muito próprios. Nas relações violentas existe sempre um sentimento compartilhado, que é a raiva, mesclada a uma série de vivências emocionais, conjunto este que pode ou não ser exteriorizado, mas ele está lá, internamente.  Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos estados aprovaram leis específicas, diferenciando essa forma de violência dos...

Palavrões e descrição de atos de conotação sexual em sala de aula

(22.03.11) Uma professora do Colégio Inovação Ltda., da cidade de Bauru (SP), conseguiu reverter sua demissão por justa causa em demissão imotivada, que lhe dá direito ao recebimento das verbas rescisórias. Ela também vai receber reparação por danos morais no valor de R$ 5 mil reais. A professora foi dispensada sob a acusação de ter agido incorretamente e empregado palavrões em sala de aula. O fato ocorreu quando a professora falava aos alunos da 8ª Série do Ensino Fundamental a respeito de trotes violentos praticados na ESALQ - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, integrante da Universidade de São Paulo. Segundo o colégio, a professora teria usado “palavras de baixo calão e descrito atos de conotação sexual de forma desvirtuada”, mas a decisão de demiti-la foi tomada somente após a escola receber carta do pai de uma aluna reclamando da conduta da professora. Sentindo-se injustiçada, ela ajuizou reclamação trabalhista pedindo, além da reversão da justa causa, indenização...

Trabalho juvenil no Brasil: análise sob a perspectiva de gênero

O cenário do trabalho juvenil elucida peculiaridades em relação às quais é necessária a reflexão. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) apresenta alguns fatos e números sobre a realidade brasileira que chamam a atenção. Vejamos: - Cerca de 23% da população brasileira é formada por jovens, dos quais 52,5% estão ocupados; - Cerca de 36% dos jovens brasileiros frequentam a escola. Destes, 71% só estudam e 14% estudam e trabalham; - Cerca de 52% dos jovens estão ocupados. Quase um terço deles recebe até um salário-mínimo; - Cerca de 22% dos jovens não estão estudando nem trabalhando, sendo que os mais afetados são as mulheres e os negros ou pardos. - As jovens mulheres que não estão estudando nem trabalhando dedicam, em média, mais de 26 horas por semana ao trabalho doméstico, enquanto entre os jovens homens essa carga é de menos de 11 horas. Múltiplos são os aspectos que justificam a precariedade do trabalho do jovem, a subutilização de sua força de trabalho, o seu desemp...