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E Agora? O que fazer com o lixo eleitoral?!?

Sugestão para o lixo eleitoral
(06.10.10)

Por Luís Marcelo Algarve,
advogado (OAB/RS nº 60.344)


O artigo 225 da Constituição Federal de 1988 dispõe que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Trata-se do princípio da obrigatoriedade da proteção ambiental.

No dia das eleições - também no transcorrer delas - foi possível perceber a quantidade acumulada de lixo eleitoral espalhado pelas ruas das cidades brasileiras. Somente em Porto Alegre foram recolhidas, aproximadamente, 140 toneladas de ‘santinhos’, cartazes, cavaletes, placas e propagandas de rua em geral. Segundo informações das autoridades, o lixo eleitoral não pode ser reciclado, tendo em vista que, ao ser jogado nas ruas, em virtude da poluição que se impregna no material, resta inviabilizada a sua reutilização.

A agressão ao meio ambiente é fatal e atinge a vida de todos nós. No dia das eleições foi possível avistar ‘santinhos’ e cartazes entulhando os bueiros da cidade. Cavaletes e placas navegando pelo Arroio Dilúvio. Sem falar na poluição visual e no desperdício de dinheiro que poderia ser usado, por exemplo, para contribuir com a recuperação das águas do Guaíba.

Enfim, nós precisamos enfrentar esse problema e parece que a solução está bem mais próxima da realidade do que imaginamos, basta que tenhamos iniciativa e adesão das autoridades.

O Brasil é um país em que 95,7% dos lares já possuem aparelhos de televisão, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE. De acordo com pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, 80,3% dos brasileiros ouvem rádio e 46,1% leem jornais. Quanto à internet, 41,7% da população brasileira acima de dez anos já acessa a rede mundial de computadores, segundo dados do IBGE, o que equivale a 67,9 milhões de pessoas.

Impressiona o número de acessos, uma vez que em 2005 o número de pessoas que ingressava na rede mundial de computadores era de 31,9 milhões, ou seja, houve um crescimento de 112,9% na comparação. A prosseguir o aumento dos acessos à internet, teremos em 2014 (ano da próxima eleição presidencial) mais de 100 milhões de pessoas interligadas à rede mundial de computadores.

Então, não precisaremos mais de ‘santinhos’, cartazes, cavaletes, placas e propagandas de rua em geral! As propagandas nos televisores, nos rádios, nos jornais e na internet podem perfeitamente evitar o aumento e acúmulo de lixo eleitoral nas ruas, parques e avenidas.

Ambientalmente falando - e precisamos de uma vez por todas abrir os olhos e agir contra a calamidade ambiental que toma conta das nossas vidas -, é preferível e razoável receber e-mails de propaganda eleitoral em nossas caixas de mensagens eletrônicas a contribuir com a proliferação de ‘santinhos’, cartazes, cavaletes e placas pelas ruas, parques e avenidas das cidades brasileiras.

O procedimento é simples. Basta que o eleitor, no recadastramento eleitoral que está sendo realizado pela Justiça, visando à implantação do sistema de identificação biométrica, informe um endereço eletrônico de e-mail válido para receber, em período eleitoral, as propagandas e programas dos candidatos. Estamos em pleno século XXI, é preciso agir com maturidade e cidadania, respeitando-se o meio ambiente e evitando-se o desperdício.

Dessa forma, devemos exigir das autoridades, especialmente dos recém eleitos, a implantação do sistema da propaganda eleitoral exclusivamente pela TV, rádio, jornal e internet, pois, se o voto há tempo já é eletrônico, não é razoável que o convencimento pelo voto seja ainda feito por ‘santinhos’, cartazes e cavaletes poluidores dos parques, ruas e avenidas do Brasil. A saúde do nosso meio ambiente e as futuras gerações agradecem!

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Fonte: Espaço Vital

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