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Invasão dos veículos voadores não tripulados

Os mais velhos devem lembrar dos Jetsons e os mais novos, com certeza, curtiram as duas filmagens de Blade Runner. Estas ficções têm em comum a profusão de veículos voadores e a escassez do velho e bom carro sobre rodas rodando em terra firme. Trazendo para o mundo real, pergunto: estamos muito longe desta realidade? Minha resposta é que a revolução da mobilidade aérea já começou e inevitavelmente vamos vivenciar essas situações no dia a dia.

Só que a ocupação dos céus pode ser bastante complexa. Para se ter uma ideia, a quantidade de drones registrados no Brasil saltou de 13 mil em 2017 para 93 mil até março de 2022. Por isso acabam entrando cena órgãos como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que define as regras e certifica projetos desses veículos voadores não tripulados, e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), que precisa controlar as operações e, ao mesmo tempo, acompanhar o aumento da demanda e permitir a escalabilidade desses equipamentos.

Isso porque se, há alguns anos, os drones serviam apenas para filmagens, hoje existe uma gama enorme de aplicações. O iFood, por exemplo, está realizando entregas de refeições com drones em algumas regiões do Brasil. O delivery de outros tipos de produtos e até mesmo o transporte de órgãos e materiais biológicos também está no radar.

Também é bastante difundido no mercado o uso de drones para pulverizações, inspeções e mapeamento dos mais diversos tipos. E novamente entram outros órgãos para atestar a segurança de todas as operações. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) regula as operações de pulverização e o Ministério da Defesa registra as empresas e os sensores dos drones para comprovar a exatidão dos levantamentos que envolvem medições de imóveis e projetos de engenharia.

Estou falando apenas do que está por aí, do que é realidade. Mas temos que, desde já, colocar nessa reflexão os eVTOLs, que são as aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, e que em breve transportarão pessoas e cargas pelas cidades. Em um primeiro momento um piloto estará no comando desses veículos, mas em um segundo momento eles se tornarão autônomos.

Com tantos veículos voadores à solta, ainda há o crescimento do setor espacial, com seus lançadores ou transportadores espaciais, mais conhecidos como foguetes. Impulsionado por empresas privadas, esse setor leva não apenas astronautas, mas cargas e satélites para o espaço, provendo diversos serviços essenciais para nós aqui na Terra.

Como organizar tudo isso? Com cooperação. Por isso, agências espaciais de cada país atuam em parceria com as agências de aviação para gerenciar essa movimentação que sai do chão e chega ao espaço. Não por acaso que agora surge mais uma novidade na área jurídica, que é o direito espacial para legislar sobre as diferentes situações além da atmosfera, como acidentes, cobertura de seguros e imprevistos de todos os tipos.

Estamos virando a chave quando o tema é mobilidade aérea, as transformações estão em curso, envolvendo milhares de empresas, gerando muitos empregos de alta qualificação e movimentando trilhões de dólares nos próximos anos em escala global. Vamos ter com isso tudo também benefícios ambientais com menor emissão de carbono na atmosfera, redução do trânsito nas cidades e otimização do tempo de deslocamento de pessoas e cargas.

Sim, podemos prever um futuro próximo ao mundo dos Jetsons e um cenário de mobilidade similar ao que vimos no filme Blade Runner. A diferença é que teremos uma atmosfera mais limpa.

Por Emerson Granemann

Fonte: Conjur

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