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A ligação entre o servidor afastado do TSE com Abin e Planalto, segundo o Metrópoles

Alexandre Gomes Machado, o funcionário exonerado pelo Tribunal Superior Eleitoral que prestou à Polícia Federal um depoimento usado pela campanha de Jair Bolsonaro para tentar corroborar a denúncia sobre supostas falhas na veiculação da propaganda eleitoral do presidente em emissoras de rádio, esteve nos últimos meses em estreito contato com um oficial graduado da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o serviço secreto do governo. As informações são da coluna de Rodrigo Rangel, do Metrópoles.

A coluna apurou que Machado compartilhou informações sensíveis sobre os bastidores do TSE e sobre pessoas próximas ao atual presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, e ao seu antecessor, Luis Roberto Barroso.

Além de ter sido alçado a uma posição importante na Abin durante o governo de Jair Bolsonaro, o oficial de inteligência a quem o funcionário afastado do TSE repassou os dados é também ligado à cúpula militar do Palácio do Planalto — em especial, ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno Ribeiro.

Alexandre Machado foi exonerado pelo TSE na última terça-feira (25/10). Como assessor vinculado à Secretária Geral da Presidência da Corte, era responsável por receber das campanhas os arquivos das propagandas eleitorais e em seguida disponibilizá-los para as emissoras de rádio e de televisão. No mesmo dia da demissão, ele foi à Polícia Federal prestar um depoimento que durou horas a fio e entrou pela madrugada.

O TSE informou que Machado foi desligado por "indicações de reiteradas práticas de assédio moral, inclusive por motivação política, que serão devidamente apuradas". A "motivação política" seria justamente o pendor do servidor, no exercício de suas funções, para o bolsonarismo.

"Barriga" no Correio Braziliense
Não é a primeira vez que Alexandre Gomes Machado se envolve em um episódio público controverso. Jornalista, em 2000, trabalhava no jornal Correio Braziliense quando publicou reportagem que apontava envolvimento de Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-secretário geral da Presidência no governo Fernando Henrique Cardoso, em um contrato milionário do Banco do Brasil com uma empresa chamada na matéria de DBO Direct. Segundo a material, por trás dessa empresa estaria outra, de nome DTC, da qual Eduardo Jorge seria sócio.

A reportagem era uma sucessão bizarra de erros. A empresa que tinha contrato com o Banco do Brasil chamava-se BDO Direct, e não DBO. Não ficava em Curitiba, como dizia o texto, mas em São Paulo. Ela nunca teve qualquer vínculo com a DTC. A única informação correta era que Eduardo Jorge tinha sido, sim, sócio da DTC. Mas, diante da falta de vínculo da empresa de que era sócio com a DBO e o Banco do Brasil, a reportagem não se justificava.

Diante da constatação da imensa quantidade de erros, o Correio Braziliense tomou a decisão inédita de publicar como manchete do jornal: "O Correio errou", admitindo a sucessão de erros cometidos.

Na época, a jornalista Renata Lo Prete, que era então a ombudsman da Folha de S. Paulo, escreveu que Alexandre reconheceu que confiara unicamente nas informações que obtivera de uma única fonte, sem qualquer documento que comprovasse o que dizia e sem ter checado se as informações eram mesmo verídicas.

Pela forma como reconheceu o erro, o Correio Braziliense recebeu, à época, o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa.



Fonte: Conjur

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